Entrevista polêmica mostra perfil diplomático de Lula

autodeterminação dos povos é premissa no Brasil e anti-premissa para os Estados Unidos

Lula em entrevista ao El País. | Foto: Reprodução

“todo político que começa a se achar imprescindível ou insubstituível começa a virar um pequeno ditador. Por isso sou favorável à alternância de poder. Eu posso ser contra, mas eu não posso ficar interferindo nas decisões de um povo. Nós temos que defender a autodeterminação dos povos.”

Com essa fala, Lula entraria nos noticiários das piores maneiras possíveis:

“Lula minimiza ditadura na Nicarágua durante entrevista”, “Lula perde pontos de popularidade ao falar da ditadura na Nicarágua, analisa Joel Pinheiro”, “Lula minimiza ditadura na Nicarágua em comparação com Merkel” são algumas das manchetes.

Por que é que o Brasil se tornou protagonista internacional durante os governos de Lula? A tão criticada fala defendeu um princípio que não é apenas sua opinião, mas que é também preceito constitucional das relações internacionais do Brasil: o respeito à autodeterminação dos povos.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I – independência nacional;

II – prevalência dos direitos humanos;

III – autodeterminação dos povos;

IV – não-intervenção;

V – igualdade entre os Estados;

VI – defesa da paz;

VII – solução pacífica dos conflitos;

VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X – concessão de asilo político.

Constituição Federal

Ao pesquisar “autodeterminação dos povos” no Youtube , perceba que não existem senão vídeos caseiros, geralmente com o especialista gravando da webcam de casa.  Repare, por outro lado, que a pesquisa “tropas americanas” aponta para caminhos bem diferentes.

Curiosamente, os mesmos veículos que condenam os atos antidemocráticos também conspiram contra o preceito constitucional de não-intervenção. É que apesar de defender a democracia, a constituição, a ciência e muitas outras pautas que formam a “etiqueta do jornalista”, fato é que enquanto os Estados Unidos da América estiverem no extremo oposto à não-intervenção, a grande mídia também o estará. Não é alvo de pauta dos veículos mais imponentes o fato de que democracia implica também em respeitar a autodeterminação dos povos, princípio sem o qual uma nação acaba por colonizar outra (como fazem os Yankees atualmente).

É simples: o público geral não tem como se inteirar sobre outros povos senão através dos grandes conglomerados brasileiros, ligados a interesses estadunidenses. Sabendo disso é que a grande mídia consegue utilizar da pauta internacional para manipular a opinião pública nacional sem ser notada.

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