Por uma reforma científica do mundo das coisas

Os tópicos mais relevantes da política e economia nacionais são vistos por nós no período entre duas novelas, enquanto estamos deitados no sofá

Foto: Pixabay /Pexels.com

Testar, concluir, publicar, revisar… O método científico salvou o mundo desde que foi criado, e agora mais do que nunca. Graças ao rigor da ciência temos as tão atacadas vacinas que estão, pouco a pouco, colocando fim à pandemia. O mérito? Do método científico, sem dúvida.

Ideia tão simples quanto eficaz, a cientificidade rigorosa é aplicada nos diversos aspectos da vida humana, exceto na política. Por quê? Muitos dizem que é por conta da enorme subjetividade… É que na política, conta-se, nada se discute e tudo é questão de opinião. Explorar ou não explorar? Mais ou menos pobres no mundo? Todo mundo ou só alguns comendo todos os dias? Questões de opinião?

Ao chegar em um ponto da pós-modernidade onde voltamos a acariciar com mais afago o iluminismo, é possível entender o papel das evidências contra os achismos. Movimentos extremistas como os anti-vacina e os terraplanistas deram conta de que nada é somente questão de opinião. Baseados numa perversão a ideia de criticidade, esses defendem o extremo da libertinagem de expressão. Por eles, algumas verdades não muito vendáveis voltaram à cena: existem sim verdades absolutas, existem sim perguntas já respondidas, existem sim métodos, e ciência não tem, não senhor, o mesmo peso da religião. Na moda de flexibilizar tudo para vender livros com frases de efeito, criamos monstros que pedem liberdade para pedir o fim da liberdade.

Talvez a gaia ciência seja mesmo a saída para um modelo político realmente justo – o que até o momento não foi alcançado. Aos que dominam, é crucial que política continue sendo questão de opinião, e não de reforma científica, e talvez por isso mesmo ainda estejamos parados no mesmo capitalismo clichê de sempre. Interessa a quem está no alto fazer crer que colocar todos à mesma altura ou não é opinativo, opcional, partidário. Será essa a hora de partirmos para um cientificismo político? A ciência pode determinar qual o modelo político-econômico ideal?

É certo que ao longo dos anos descobrimos por diversas vezes que o que parecia subjetivo na verdade apenas gozava de uma objetividade não descoberta. Princípios universais como a paz, a alimentação de todos, a não destruição do planeta, a igualdade de condições iniciais… Tudo isso serve muito bem de matéria para que ciência econômica e ciência política postulem um modelo de sociedade em vias de superar a atual, sem margem para o tal “é apenas a sua opinião”.

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