Além de Guevara, Mandela e Rainha Elizabeth já receberam a Ordem do Cruzeiro do Sul

A honraria é usada desde sua origem para marcar posição política, e sua história atravessou inclusive a ditadura.

1961, Che e Jãnio Quadros em visita de Che Guevara à Brasilia. | Foto: Domínio Público

Hoje completam-se 56 anos do assassinato de Ernesto Che Guevara pelas mãos do exército boliviano e em colaboração com a CIA. Em um país com atual presidente de extrema-direita, é curioso lembrar que Che já recebeu uma das mais importantes honrarias do país: a Ordem do Cruzeiro do Sul, criada por Getúlio Vargas como referência à extinta Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul de Dom Pedro I. O reconhecimento é dado para nomes da importância de Elizabeth II, rainha da Inglaterra, Nelson Mandela, líder sul-africano que ajudou a derrubar o apartheid e Bashar Al-assad, controverso presidente da Síria.

2006, Elizabeth II exibe a medalha que ganhou do regime miitar. | Foto: Ricardo Stuckert
1961, Guevara Recebe a Ordem do cruzeiro do Sul das mãos de Jânio Quadros. |Esta imagem é parte do Fundo Agência Nacional Série FOT Subsérie PRP

O médico, escritor e líder revolucionário ocupava o cargo de ministro em Cuba quando veio ao Brasil agradecer pessoalmente pela postura do governo de Jânio Quadros na Conferência de Punta Del Este, que contribuiu para o reconhecimento da ilha caribenha como parte do continente americano, reduzindo de alguma forma seu isolamento internacional. À época, Cuba já vinha sofrendo duras críticas dos Estados Unidos. É nesse contexto que Guevara é condecorado em 1961, segundo Jânio, “para expressar a Vossa Excelência, ao governo de Cuba e ao povo cubano nossa gratidão, nosso respeito” .

A aproximação do Brasil com Cuba foi um dos pontos que incentivaria  a elite militar e empresarial brasileira, com ajuda da CIA a aplicar, 3 anos depois, o golpe militar. A chegada de Guevara gerou insubordinação: o Batalhão de Guarda, que seria responsável por formar as tropas na frente do Planalto como honraria ao chefe de estado cubano, negou-se a fazê-lo. Nesta mesma viagem, a Juventude Democrática Cristã foi convidada e aceitou visitar Cuba. Foi através do segundo presidente ditatorial , Artur da Costa e Silva, que a monarquia marcou posição, com a condecoração da Rainha Elizabeth II. Outra rainha que recebeu a condecoração foi Margarida II, da Dinamarca.

Muito tempo depois, em 1996, já sob o manto da democracia, o presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso deu a Ordem do Cruzeiro do Sul ao símbolo africano da luta contra o racismo: Nelson Mandela.

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