Herdeiros genéticos de células HeLa reivindicam direitos

Henrietta Lacks, mulher negra de 30 anos, teve as células tumorais de seu útero estudadas e replicadas sem seu conhecimento pelo médico branco George Gey.

Henrietta Lacks. | Foto: Domínio Público

Mais células do tumor cervical de Henrietta Lacks já viveram fora do que dentro da mulher negra. As denominadas células HeLa possuem um padrão que as permite replicação indefinidamente, e foram usadas para estudos sem seu conhecimento, tampouco consentimento, o que era comum na época. Toneladas de células HeLa já foram cultivadas ao redor do mundo, reduzindo experimentos com animais e ajudando no combate ao câncer, herpes, gripe e poliomielite.

Agora, os herdeiros de Henrietta entraram na justiça reivindicando direitos. Boa parte das células HeLa foram distribuídas para a comunidade científica gratuitamente, porém, a acusação dos advogados da família é de que a empresa Thermo Fisher Scientific comercializou os resultados muito depois das origens e da popularização da técnica. A Thermo Fisher tem receita anual declarada que equivale a R$190 Bilhões.

“É ultrajante que esta empresa pense que tem direitos de propriedade intelectual sobre as células de suas avós. Por que eles têm direitos intelectuais sobre as células dela e podem beneficiar bilhões de dólares quando sua família, sua carne e sangue, seus filhos negros, não ganham nada? ” 

Ben Crump, advogado da família
Família Lacks. | Foto: Steve Ruark/ Associated Press

A família pede na justiça o valor total dos lucros líquidos obtidos com seu material genético, além da proibição de comercialização não autorizada das células por parte de Thermo Fisher, e alega que na época outras mulheres negras sofreram a retirada não consentida de material biológico para estudo. Os Lacks ficaram sabendo dos experimentos pela primeira vez em 1975, mais de 20 anos depois da morte de Henrietta, e hoje fazem parte de um comitê que decide os destinatários das células.

” Um sistema médico racista e injusto.”

Família Lacks, sobre o caso

Em Janeiro de 1951, a afro-americana de 30 anos foi ao médico com queixa de um calo no útero. O problema a levou ao médico George Gey, no Hospital Johns Hopkins. Curiosamente, Gey já tentava a algum tempo, sem sucesso, cultivar células de tumores humanos fora do corpo. O tumor de Henrietta continha exatamente o que Gey tanto buscava. A cada 24 horas, novas cópias eram geradas. 10 meses depois, as células que ainda estavam ativas no corpo de Henrietta Lacks acabaram por matá-la .Décadas depois, o virologista Harald Zur Hausen descobriu que foi o vírus HPV que causou o câncer.

Células HeLa em cultura. | Foto: ATCC

 “Setenta anos depois, lamentaremos Henrietta Lacks e celebraremos a retomada do controle do legado de Henrietta Lacks. Isso não será passado para outra geração ”

Ron Lacks

A Universidade Johns Hopkins declarou que nunca lucrou com células HeLa. As informações sobre o processo são de Michael Kunzelman, da Associated Press.

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