Habilidades emocionais variam conforme gênero e classe social

Pesquisa de Habilidades Sociais e Emocionais (SSES) foi realizada em dez cidades do mundo e divulgado pela OCDE

Foto: Guilherme Machala

A OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, divulgou, nos últimos dias, os primeiros resultados da Pesquisa de Habilidades Sociais e Emocionais (SSES), realizada em dez cidades: Bogotá (Colômbia), Daegu (Coréia), Helsinki (Finlândia), Houston (Estados Unidos), Istanbul (Turquia), Manizales (Colômbia), Moscou (Rússia), Ottawa (Canadá), Sintra (Portugal) e Suzhou (China). A SSES avalia as condições e práticas que ajudam ou dificultam no desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais.

Para chegar nos resultados obtidos, avaliaram-se alunos de 10 e 15 anos, com a colaboração de um Consórcio Internacional liderado pelo Conselho Australiano para Pesquisa Educacional e a  Universidade de Ohio. A metodologia emprega o reconhecimento dos cinco grandes traços de personalidade de Ernest Tupes e Raymond Christal: Abertura, Consciência, Extroversão, Amabilidade e Neuroticismo.

O relatório foi editado por Clara Young e a publicação elaborada pela DHA Communications, com o apoio de Sheryl Cherian e Dana Thompson. É o esforço internacional mais abrangente até hoje para coletar relatórios de alunos, pais e professores sobre as habilidades sociais e emocionais de alunos de 10 e 15 anos. A  OCDE quer apoiar os países em seus esforços de reorientar suas agendas de políticas de educação para se concentrarem mais nas habilidades sociais e emocionais e, por extensão, no desenvolvimento de cidadãos completos. À seguir, um resumo das principais conclusões.

Distribuição sociodemográfica das habilidades emocionais e sociais

A  principal constatação deste capítulo é que alunos mais ricos relatam maiores habilidades sociais e emocionais do que os socioeconomicamente desfavorecidos em todas as cidades pesquisadas. Nenhuma característica analisada foi maior dentre os alunos mais pobres em relação aos mais ricos.

As habilidades também variam de acordo com o gênero: enquanto meninos apresentam maior regulação emocional e sociabilidade, meninas relatam capacidades como a responsabilidade, empatia e cooperação. A maioria das adolescentes não se sentem descansadas ao acordar. Em ambos os sexos, porém, as habilidades sociais e emocionais tendem a diminuir com a chegada da adolescência, com exceção da tolerância e da assertividade.

Olhando mais de perto, duas cidades nadam contra a corrente, com certos traços mais aparentes na adolescência do que na infância: Helsinki (Finlândia) e Istambul (Turquia). Helsinki também traz  mais resultados positivos para meninas do que as outras. É em Istambul, porém, que temos maior percentual de alunos que dizem não estar satisfeitos com a própria vida, ao contrário de em que Manizales (Colômbia), que lidera neste tópico.

Sucesso acadêmico e aspirações de educação e carreira

Daegu, na Coreia, é a cidade com adolescentes mais otimistas. Tanto as habilidades emocionais quanto a vantagem socioeconômica parece fazer diferença nos sonhos de uma faculdade ou de um emprego. As habilidades sociais e emocionais, como esperado, interferem nas notas e no desempenho escolar.

As habilidades também variam conforme o caminho que cada aluno deseja seguir: os que pretendem tornar-se profissionais da saúde relatam ser mais curiosos e cooperativos, enquanto os que almejam uma profissão na segurança pública dizem ser mais enérgicos.

Criatividade e curiosidade dos alunos

As duas habilidades parecem se retroalimentar, ajudadas por fatores como a empatia e a persistência. Assim como as habilidades emocionais e sociais, parecem diminuir na adolescência, e os pais dos pesquisados confirmam isso. Os alunos que se consideram mais criativos são também ansiosos por aprender algo novo, e acabam por ampliar seu nível de criatividade após atividades artísticas. Nessas atividades, Bogotá (Colômbia) é a mais proeminente e Daegu (Coreia) é a que mais deixa a desejar, ao menos em termos da parcela de estudantes que participam destas atividades. Bogotá, aliás, é a cidade em que os alunos mais equilibram sua participação entre esportes e artes.

Bullying e interações sociais na escola

Os meninos relataram maior exposição ao bullying do que as meninas. Apesar disso, apresentam maior sensação de pertencimento ao ambiente escolar do que as meninas, especialmente as adolescentes pobres. Esse melhor ajuste gera habilidades como cooperação, otimismo e sociabilidade. Um em cada cinco alunos de 10 anos relatou que outros alunos zombavam deles uma vez por semana ou mais.

As vítimas do bullyng têm dificuldade em desenvolver resistência ao estresse, otimismo e  controle emocional. Além disso, a forma como os alunos veem seus relacionamentos com seus professores é mais fortemente influenciada por sua curiosidade, motivação de realização e otimismo.

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