Caso ‘Prevent Sênior’ possui ligações estreitas com a prática nazista

Operadora acusada de crimes contra a saúde possui lema, hino e práticas médicas próprias dos eugenistas.

Concepção artística associando Prevent Sênior ao campo de concentração de Auschwitz. | Imagem: Debocheria (Instagram)

O ano de 1941 marca o início do Holocausto. Na Alemanha nazista, médicos tinham à sua disposição prisioneiros do regime para experimentos diretos, sem testes prévios e sem a preocupação com a eventual morte dos envolvidos. A Sulfanilamida foi um dos medicamentos testados em infecções bacterianas provocadas pelos próprios cientistas, onde eram colocados pedaços de vidro e madeira para o agravamento proposital do quadro. Outras substâncias foram alvo de testes, como produtos químicos dos mais variados, óleos e até mesmo venenos, secretamente misturados aos alimentos, tudo isso sob a guarida do “Exército do Sol Negro”, como era chamado chamado o braço militar da Schutzstaffel (Waffen-SS), sempre reunido em torno do lema “Lealdade e Obediência”

Durante a CPI da Covid, no Senado Federal, Bruna Morato afirma que os proprietários da Prevent Sênior, Eduardo e Fernando Parrillo, compuseram uma canção para ser o hino da empresa, a que os funcionários eram obrigados a entoar. O nome da canção é “Army of the Sun”, traduzindo, “Exército do Sol”. A motivação para o trabalho da equipe vinha com o lema “Obediência e Lealdade”. A empresa  é acusada de realizar experimentos não autorizados em pacientes recebiam hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, heparina inalatória, metotrexato venoso e ozonioterapia.

O termo “tratamento precoce” é utilizado pela extrema-direita bolsonarista para justificar o uso de drogas ineficazes no tratamento da COVID-19. O bolsonarismo torna a ciência “questão de opinião”, e pede para que seja respeitada a ideologia que requer o uso de fármacos como Hidroxicloroquina, Ivermectina, Ozônio e Azitromicina como prova de obediência e lealdade. Voltando ao depoimento de Bruna na CPI da COVID, a advogada relata que os médicos eram pressionados a receitar o chamado “kit-covid” bolsonarista, sob pena de demissão. A pressão também era exercida sob os funcionários, que também eram ordenados a não utilizar máscaras diante dos pacientes infectados.

No primeiro semestre de 2020, a operadora de planos de saúde respondeu por 58% das mortes por COVID-19 em todo o Estado de São Paulo.  O número real parece ser bem maior: Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da empresa, confirmou que os registros de óbitos eram adulterados para que não constassem como COVID-19 e assim fosse possível manter a narrativa de eficácia dos medicamentos da extrema-direita.

Tadeu Frederico de Andrade, cliente da empresa, recebeu a recomendação de tratamento paliativo, destinado a pacientes incuráveis, mesmo não estando em estado terminal. O objetivo do convênio seria suspender a administração de tratamentos caros para diminuir custos. A declaração se alinha com mais uma denúncia: a de que pacientes na UTI estariam sendo precocemente retirados do oxigênio para que os leitos fossem liberados.

“Disseram que era o melhor caminho porque lá eu ia ficar sedado, com os aparelhos desligados, para esperar por uma morte digna e sem sofrimento. Ia ser desligado e ser morto”

(Tadeu Frederico de Andrade, advogado e cliente da Prevent Sênior)

Caso confirmados, os fatos podem ser classificados como mistanásia, ou seja, a morte provocada por violação no direito à saúde, que poderia ser evitada. O advogado Marcelo Válio acredita que uma apuração que confirme a veracidade das suspeitas fará do caso o “maior escândalo médico na história nacional”, incorrendo inclusive em “grave crime contra a humanidade”. Havendo envolvimento do Presidente da República, continua, há margem para abertura de processo de Impeachment por crime de responsabilidade.

A maioria dos médicos nazistas envolvidos nos experimentos humanos recebeu perdão judicial. Um dos mais famosos, Josef Mengele, foi enterrado aqui no Brasil, na cidade de Embú das Artes, após fuga para evitar seu julgamento.

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