“Tivemos visitantes levando o kit covid escondido para os internados”

Brigas com funcionários, protestos em frente ao hospital, insistência com os médicos e ‘tráfico’ de ‘kit-covid’ para internados: Dr.Imad relata as tensões vividas diante de quem insistia em remédios ineficazes contra a COVID.

Foto: Arquivo Pessoal/ Dr.Malek Imad (EDITADA)

O Dr. Malek ImadCRM 175080, Médico especialista em Gestão em Saúde, revelou hoje que ele e sua equipe do  Hospital de campanha de Ribeirão Pires-SP sofreram pressão de algumas pessoas para que adotassem o ‘kit-covid’ nos familiares.

Imad relata que pacientes e familiares “queriam de qualquer maneira,  que eu prescrevesse o kit covid”. Porém, diante do posicionamento de entidades médicas contra a adoção do tratamento sem eficácia,  o médico não prescreveu os fármacos, que são  “realmente vazios contra o coronavírus”.

Não bastasse todo o trabalho de um hospital de campanha, a equipe teve de enfrentar também protestos do lado de fora, de pessoas que queriam que o ‘kit-covid’ fosse implementado. Pessoas chegaram a brigar com os funcionários, além de visitantes que levavam escondido para os internados, já debilitados, drogas que “podem afetar o fígado e o coração, deixando sequelas desnecessárias”.

 “Acredito que minha decisão ajudou muito a comunidade de que fiz parte durante aquele período, e reforço que no momento, a única via que temos contra a doença é a vacina.”

Em 2020, o médico francês Didier Raoult publicou uma pesquisa sobre o uso do medicamento hicroxicloroquina para o combate à COVID-19. Antes mesmo da revisão por pares, Raoult passou a militar a favor do que ficou conhecido como ‘tratamento precoce’, que acabou virando pauta da extrema-direita no Brasil através do presidente da república Jair Bolsonaro. Sobre isso, Imad comenta que “existe uma ordem que deve ser respeitada para ter resultados imparciais e corretos”  e o resultado de Raoult, dado o desrespeito à metodologia científica, “não pode ser levado a sério, principalmente quando falamos de vidas humanas”.

Didier Raoult. |Foto: Foto: Christophe Simon / AFP

A propagação de desinformação sobre remédios sem eficácia para um suposto ‘tratamento precoce’ gerou inúmeras reações no tecido social e político. A mais recente foi a demissão do bolsonarista Alexandre Garcia, da CNN, após usar o quadro ‘Liberdade de Opinião’ para afirmar, sem provas, que inúmeras pessoas foram curadas com o uso dessa medicação. As ações do governo para propagandear o ‘kit-covid’ mesmo após estudos que demonstram sua ineficácia estão sendo investigados pela CPI da COVID no Senado Federal. O Dr. Malek conclui:

“Estamos falando de um momento de extremo medo e apreensão num âmbito mundial, lidando com uma doença devastadora. No final, a responsabilidade de acalmar as pessoas e fazer com que a informação correta chegue a elas é da política pública”

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