Mutação da malária resistente à medicação é confirmada em Ruanda

Em 4 anos, observou-se maior tempo de duração da doença no corpo infectado, provando a adaptação ao tratamento.

Foto: Dr. Mae Melvin, USCDCP / Pixnio

Foi detectada, em Uganda modificação do Plasmodium falciparum, protozoário causador da maláriaCID-10 B50-B54 . A alteração  desenvolveu resistência aos derivados da artemisinina, a principal e mais rápida substância usada no tratamento da doença.

A descoberta foi publicada  no The New England Journal of Medicine,  no último dia 23. 17 pesquisadores assinam o trabalho, que teve financiamentos como o da Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência.

O resultado foi obtido tratando pacientes com artesunato intravenoso (um derivado da artemisinina solúvel em água) e estimando a meia-vida de eliminação do parasita. Identificando que com o mesmo tratamento, a contaminação demorava a desaparecer, concluiu-se que algo mudou, mais especificamente em um marcador do gene denominado kelch13, que passou a ser mais comum em 2019, com 19,8% de prevalência nas amostras, enquanto em 2015 era de 3,9%.  Há, ainda, um segundo marcador genético no kelch13 com mutação, mas não há ainda comprovação de que tal alteração seja clinicamente relevante.

“Todos nós esperávamos e temíamos isso há muito tempo”

(Leann Tilley, bioquímico da Universidade de Melbourne, na Austrália, pesquisador da base molecular da resistência aos antimaláricos. )

O primeiro sinal de evolução da resistência da malária a medicamentos não é novo: foi entre 2012 e 2015 que mutações começaram a ser encontradas. A partir daí, o novo estudo realizado até 2019 concluiu que a malária permanecia cada vez mais tempo no corpo alvo de tratamento medicamentoso. Apesar de a maior concentração de mutantes estar em Uganda, o fenômeno também foi observado em outros países da África e do sudeste asiático

A artemisinina é extraída da Qinghao (Artemisia Annua), planta já utilizada pela Medicina Tradicional Chinesa para tratar doenças trazidas dos protozoários. O isolamento do composto rendeu para a farmacologista e educadora chinesa Tu Youyou o nobel de Medicina de 2015, além de outras condecorações na área.

Tu Youyou. | Foto: Pascal Le Segretain 

O protozoário causador da Malária é  transmitido por meio de mosquitos. A enfermidade pode ser curada em questão de dias, mas sua manifestação em um indivíduo é considerada emergência médica. Os sintomas mais comuns são dores no abdomen, febre, diarreia, fadiga e suor.

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