Social-Democracia transforma o estado em terceiro setor

Eduardo Barison (PSD) e Felipe Naufel (PSDB)

A Social-Democracia é a bandeira que une ex e atual prefeito. Na prática, é claro, os dois possuem muito mais aspectos em comum: o populismo, a classe social, a maneira mal planejada de administrar, o elitismo cultural, o direitismo, o acúmulo de capital e posterior investimento em campanha, dentre inúmeros outros.

No Brasil é mais apropriado chamar essa vertente política, descambada para a direita, de algo como “migalhismo”. A prefeitura deixa isso muito claro: vira uma ONG, com menos políticas públicas efetivas, criando direitos adquiridos, via lei, e mais caridades pontuais para o alívio das almas da cristandade.

Retirando a parte filantrópica e observando o genuinamente político, o que resta? Esta é a análise mais apropriada de um governante. A quem interessa o voluntarismo? Provavelmente a quem qier dar esporadicamente, mas nunca continuamente. Certamente a quem quer dar como benevolência, não como direito. Afinal de contas, seguir a lei não leva pro céu, apenas livra da cadeia (cadeia pra ricos… como sou iludido…); já a benevolência parte do cordium, e justamente por ser pontual é que é penitencial.

É sempre pertinente, pra mim, a pergunta: fazem por maldade ou ignorância? Fazem para submeter o estado à lógica da mais-valia (comissão farta ao prefeito e cesta básica ao pobre) ou por desconhecer a real função do estado?

Ambas as respostas parecem igualmente válidas. A moral do cristão branco de classe média-alta é migalhista por essência. Vê na expiação causada pela caridade um alívio à culpa pela exploração da classe trabalhadora.

Indo na igreja aos domingos, após um banho quente, penteando e cortando os cabelos de acordo com a normativa de gênero, fazendo política na porta do culto com o peito estufado e perfume exagerado – chegando a feder -, orando antes das refeições, dando moedinhas ao mendigo, xingando gays e lésbicas na TV, mantendo o dízimo em dia, elogiando o burguês mais avantajado, mantendo sempre o homem no comando e a mulher na ‘assistência’, posando pra fotos com sorriso de ‘quinta-feira’, daqueles de quem acabou de air do confessionário… Diante da “impecável” conduta cristã, certos pecados contra o estado e contra a base da economia são toleráveis e, em muitos casos, até desejados.

É necessário que a ‘polidez’ burguesa se mantenha, e nunca saiu de moda a boa e velha ‘foto de caridade’. Estar em um jantar de gala comentando as recentese imaculadas ajudas aos pequeninos é sempre de bom tom, tão essencial quanto saber usar o guardanapo da maneira adequada.

Ser social-democrata é ter elegância na vestimenta social: assim como não se vai de shortinho a uma reunião de damas, mas de elegante vestido de seda, tapando as vergonhas, da mesma forma não se pode simplesmente manter poderosa fábrica que explora metade de uma cidade e polui tudo o que encontra pela frente; o vestido para cobrir essas vergonhas é a cesta básica, a esmola, a foto com o pobre, a abnegação em acordar pela manhã para visitar escolas… tudo isso liga o burguês ao valor primeiro da social-democracia: o bom-tom.

A vantagem não é diferente das vantagens de pertencer a um time de futebol, a uma religião ou a um clube: o grupo se protege protegendo seus membros… grupo da elite dominante mantém sua dominação protegendo seus membros. Daí que não existe crime que passe pelo rigoroso filtro das relaçòes amistosas entre as autoridades da social-democracia… como ser preso por um compadre? Tão improvável quanto a dominação simplesmente deixar de existir.

Assim como no século XIX presenciamos dois códigos penais (um para brancos e outro para negros), temos crimes que só valem se forem cometidos contra a burguesia: trata-se dos crimes contra a honra.

Já é quase jurisprudência consolidada que só rico tem honra. Ser pobre diminui ou quase anula a chance de ganhar uma sentença por calúnia, injúria ou difamação. A ‘chiquesa’ da honradez, do bom nome, do gargo e elegância da moral, essa pertence à lógica do jantar de gala. E deixar qualquer sujeirinha que seja nesse palácio de cristal, cravejado com o brasão imponente da família de origem europeia, é certeza de prisão. Do alto da sua imponência, o burguês social-democrata exalta sua origem alva, ariana, imaculada, diante da qual nada se pode questionar…somos todos escravos da sua moral incurruptível, e quem disser o oposto será processado.

A Mococa da carteirada etno-religiosa namora bem com a política social-democrata brasileira, e isso fica evidente na forte aderência dos partidos de centro-direita no interior de São Paulo e Sul de Minas Gerais. PSD e PSDB, que governam Mococa, são a representação fiel do colonizador português, desde sua chegada ao Brasil.

O povo precisa ir ao palácio para retirar suas necessidades básicas e, assim, afagar o ego do rei. A expiação dos pecados é pública, feita na praça central, para o aplauso da cristandade.

O sonho de chegarmos ao século XXI nessa terrinha é aplacado pelo desejo de alguns em manter a lógica de domínio. A lei custa a chegar aqui, e o cidadão é acalmado e tirado da necessidade de união política através da propaganda da caridade, da campanha de que “é bom manter as grandes familias cuidando de Mococa”. O povo, este jamais teve sequer um suspiro de democracia em Mococa. O sistema feudal persiste, e superá-lo parece tão urgente quanto difícil.

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