Menos é mais: como o minimalismo se tornou eu

Certa vez um tal candidato da minha cidade me ofereceu 2 mil reais e o empréstimo de uma moto para que eu fizesse uma pesquisa eleitoral ilegal para ele…. Achei engraçado a maneira como em nenhum momento me pairou o dilema moral na cabeça, o modo como não tive problemas em recusar. É fato que eu nunca sequer acumulei esse valor na minha conta bancária, e sempre achei curioso meu pouco apego com dinheiro, aparência, coisas… fui aprendendo e descobrindo: sempre fui um minimalista e nunca soube

Minha doce Bia

Nunca fui perfeito, nunca fui pronto, e meu minimalismo não me tornou uma boa pessoa… pelo menos não tanto quanto Bia me tornou… mistura de filha, melhor amiga, irmã mais nova… sua transição para a adolescência, suas crises existenciais, sua simplicidade no ser e no falar, seu sotaque sergipano (até isso me ensinou mais do que eu poderia imaginar)… É impressionante como a dinâmica das coisas às vezes parece independer de qualquer controle voluntário… Mas no fim, tornei-me mais do que eu era, sendo menos, mas agora com significado.

Bia me ensinou que não basta ter pouco… é preciso que cada pedaço desse pouco seja banhado de significado.

Na minha curta passagem pelo budismo, aprendi que todas as religiões tem certa base comum, e não falo do velho clichê de “fazer o bem”: falo do domínio das paixões pela razão… cada uma a seu modo, atribuindo a mitologias diferentes, mas sempre ensinando que não nos acrescenta em nada escolher todas as figurinhas do album… é preciso ser, e parece que a humanidade pós-moderna pouco a pouco desaprende (se é que algum dia aprendemos)

As expectativas que artificialmente criamos são mais tóxicas que o corante caramelo IV que vem na garrafa de coca-cola, ou mesmo o veneno que a europa baniu da sua mesa, mas nós aprendemos a chamar de “defensivo”.

No final, a lição não é tão bonitinha quanto a de um livro de auto-ajuda: a vida é obra da sorte, nao possui sentido e vale pouco ou quase nada… o segredo é que não tem segredo nenhum…fomos os criadores de toda a pompa e circunstância do tal “milagre da vida”. Ser menos, talvez, nada mais seja do que ser o que, na verdade, sempre fomos: mínimos.

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