A Secom virou uma espécie de Der Stürmer

Aparelhada, partidária, perseguidora, paga com dinheiro público, a secretaria segue impune, remontando aos poucos a mordaça de 1964.

Parte significativa da propaganda nazista, Der Strümer foi um semanário dedicado à propaganda de ódio aos judeus e todos os outros grupos perseguidos… os “comunistas” da época eram retratados da mesma maneira que são retratados hoje: caricaturados, reféns de histórias completamente inventadas, taxados de ladrões por uma propaganda que fazia com que os nomes judeu e ladrão, aos moldes do atual antipetismo, grudassem um no outro. Não apenas figurativamente, mas o comunismo já era bode expiatório da própria alemanha nazista, porém não ocupava tanto tempo de trabalho sujo quanto o cultivo do ódio aos judeus.

Tal qual o video publicado pela SECOM, o objetivo do semanário nazista era fazer crer, principalmente pelos menos cultos – os pobres de direita da época – que os judeus eram os responsáveis pela degeneração da sociedade, pela ruptura de valores sagrados, pela mamata… O resultado esperado era o mesmo dos comentários de facebook da maioria das páginas de notícias: associar todo o mal que ocorria aos judeus, e com isso justificar a perseguição e a violência.

Há quem se surpreenda com a capacidade de cometer-se atrocidades como as do Holocausto… Trata-se, porém, de uma construção gradual, trata-se de construir um ódio tamanho no emocional popular, que o próprio povo passa a clamar pela tortura e morte do grupo alvo. Não há nada que nos faça crer que havia algo biologicamente diferente na população Alemã daquela época… Eram iguais a nós,e tornaram-se iguais a eles: usando a bandeira nacional e as cores nacionais para justificar tudo e todos, associando patriotismo a práticas específicas, sendo bombardeados por propaganda massiva e alucinógena… Tudo começa na propaganda, Hitler sabia disso e a Secom também sabe.

Não estamos diante de um acidente histórico, de forma alguma: estamos diante de um grupo político admirador do Reich, e que se dedica a estruturar no Brasil o seu próprio Holocausto. Paralelamente à propaganda que cria ódio, há o projeto de lei que tenta criminalizar qualquer prática que seja considerada “comunismo”… Há um cerco que gradualmente se monta à nossa volta, pronto para um bote certeiro. Basta que a população se mantenha dócil ao governo e hostil aos opositores, basta alimentar as teorias conspiratórias, basta produzir videos e imagens carregados de emocionalidade, vilanizando o inimigo e purificando a perseguição “patriótica”.

O aparelhamento da SECOM e de outros órgãos é o mais preocupante nisso tudo: cria uma realidade paralela, estampando uma dualidade entre legítimo e clandestino, criando heróis que nunca foram, e histórias que nunca ocorreram, tudo isso com o carimbo do selo nacional e a assinatura presidencial.

Parabéns a quem elegeu… O novo Reich se torna cada vez mais real.

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